Ações preparatórias à paralisação nacional foram definidas por entidades em plenária no Sindicato dos Químicos de São Paulo

A mobilização para a greve geral de 14 de junho ganha cada vez mais adesões e unidade. Todas as centrais sindicais do país – CUT, Força Sindical, CTB, Intersindical, CSP-Conlutas, Nova Central, CGTB, CSB e UGT –, além das frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, realizaram, na terça-feira 4, plenária nacional para organizar a paralisação. O principal eixo do encontro foi a luta contra a reforma da Previdência.
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A atividade reuniu cerca de 300 pessoas no Sindicato dos Químicos, na capital paulista. As entidades decidiram ampliar assembleias com as categorias em todo país, organizar plenárias nos bairros e intensificar as ações.
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Calendário de mobilizações

Nos dias 6 e 7 haverá panfletagem de materiais e diálogo com a população nas cidades; nos dias 8 e 9, as ações em defesa da aposentadoria serão feitas principalmente nas periferias.

De 10 a 12 serão coletadas assinaturas para o abaixo-assinado contra a reforma da Previdência, além de distribuição de material.

Em 13 de junho, véspera da greve, foi definido um dia de agitação e propaganda no estado de São Paulo como forma de reforçar as paralisações, panfletagens e diálogo com a população.

Bancários realizam assembleia na terça 11

O Sindicato dos Bancários de São Paulo realizará assembleia na terça-feira 11, para que os bancários definam sua participação na greve geral de 14 de junho. Será na Quadra dos Bancários (Rua Tabatinguera, 194, Sé), a partir das 19h.
Antes disso, o Sindicato vai mobilizar a categoria realizando assembleias nos locais de trabalho, de quarta-feira 5 até a terça-feira 11. Veja edital na Folha Bancária especial sobre os motivos para a greve geral.

Unidade

Na plenária, entre as várias categorias presentes estavam servidores municipais e estaduais, professores, bancários, metalúrgicos, químicos, trabalhadores do saneamento, do vestuário, da saúde, metroviários e outros setores do transporte, jornalistas, radialistas e comerciários, ao lado de estudantes e movimentos sociais. Todos confirmaram que irão cruzar os braços no dia 14.
Além da greve geral, as entidades que compõem as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo também realizarão um ato no dia 14, a partir das 16h, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, 1578, na Bela Vista.

Mobilização forte em todo o país

O secretário-geral da CUT Brasil, Sérgio Nobre, destacou que as mobilizações prévias ao dia 14 estão maiores do que as da maior greve geral já organizada pelas entidades, ocorrida em 28 de abril de 2017.
Tenho percorrido muitos estados e percebo como a preparação está grande. Isso é resultado da unidade que temos construído deste o final do ano passado. Vivemos neste momento um retrocesso não apenas nas relações de trabalho, mas de civilização. E não teremos futuro se não for pela nossa unidade”, disse.
No mesmo sentido, ao lado de lideranças de outras centrais sindicais, o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, também falou sobre unidade e lembrou o tamanho dos protestos no último dia 30. “Só na cidade de São Paulo o ato reuniu 300 mil pessoas. Foram gigantes as mobilizações em todo Brasil em defesa da educação e contra a reforma da Previdência. Agora vamos parar tudo, deixar a cidade às moscas. Como professor, eu adianto que iremos paralisar 95% das escolas no estado de São Paulo”, reforçou.
Presidente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (Umes), Lucas Chen, reforçou o apoio à greve. “Contem com a força dos estudantes porque a nossa luta é pelo futuro do nosso país, para que tenhamos de fato uma nação soberana, um país que dê esperança para a juventude e para a classe trabalhadora.”.

Frentes de luta

Pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Adriana Novaes lembrou a importância da luta das mulheres em um país que, segundo ela, carrega em suas entranhas o machismo, a violência e a misoginia.
Estamos nesta plenária dando continuidade ao processo de resistência contra os desmandos do governo Bolsonaro que está se concretizando no desmonte da educação e na reforma da Previdência, medidas que impõem à classe trabalhadora, que sempre foi menos privilegiada, condições ainda piores e a obrigação de trabalhar até morrer”, falou a coordenadora estadual do movimento que compõe a Frente Brasil Popular.
A luta popular citada por Adriana comunga com as falas do coordenador estadual por São Paulo do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), Moisés Ribeiro.
Estamos construindo uma ampla unidade no país porque a tarefa dos movimentos social e sindical é barrar a reforma da Previdência, que vem para retirar direitos, diferente do que diz esse governo acostumado a fake news. Ela não ataca os privilégios, mas os mais pobres, aumentando a idade e o tempo de contribuição aos que mais necessitam. Esta unidade é muito importante para barrar essa reforma, assim como fizemos no governo (de Michel) Temer”, concluiu.

Plenárias no estado

Também na capital paulista, na tarde de terça-feira 4, metroviários, motoristas, rodoviários, portuários, aeroviários e aeroportuários decidiram em plenária, realizada na sede da CUT, no Brás, participar da greve geral do dia 14.
Em Osasco, movimentos social, sindical e partidos políticos da região e de cidades do entorno realizaram plenária com a participação de aproximadamente 100 pessoas. As entidades farão nos próximos dias ações nos bairros centrais dos municípios para dialogar com a população. E estão organizando as categorias que entrarão em greve.
Outras plenárias de organização da greve geral ocorreram nesta terça 4 nas cidades de Campinas e de Suzano. Em Campinas, participaram cerca de 100 pessoas.
A próxima plenária organizativa dos movimentos será dia 10 de junho.

  • Vanessa Ramos, da CUT São Paulo, com edição da Redação Spbancarios