Na capital paulista, 50 mil pessoas se reuniram em frente à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e seguiram até a Praça da República, onde o ato foi o encerrado. Na concentração, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) comentou os dois episódios que marcaram a semana de Bolsonaro.

Qual é a moral de um presidente que se aposentou aos 33 anos tem para impor goela abaixo uma reforma da Previdência como essa?”, perguntou durante o ato, que também pediu a renúncia do ministro Sérgio Moro. “Ele já era partidário quando era juiz, imagine agora que é político. Ele descumpriu a lei e prendeu quem deveria estar no lugar do Bolsonaro.”

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, discursou sobre o êxito da Greve Geral. “Várias categorias cruzaram os braços e pararam. A turma do lado de lá estava com saudade das manifestações”. Para o líder do movimento, mesmo após a modificação no texto da reforma, ainda há a necessidade de debater outros pontos. “É positivo ter tirado a capitalização e o ataque à aposentadoria rural, mas nós queremos que tire a redução da aposentadoria por invalidez e o aumento da idade mínima para aposentadoria”, argumentou.

Laurent Matalia, professor da rede municipal de São Paulo (SP), participou da manifestação na Avenida Paulista e diz que foi à manifestação porque a Previdência é garantia de uma velhice minimamente digna. “Tento convencer muitos colegas que não compreenderam ainda que isso é uma bomba-relógio que vai estourar depois. O Brasil bem ou mal dá alguma dignidade para quem trabalhou toda uma vida, e eles estão querendo destruir isso”, explicou o professor que não foi trabalhar nesta sexta (14).

A ex-metalúrgica Antônia Tiossi diz que foi à manifestação defender seu país. “O Brasil está muito triste. Primeiro fizeram uma campanha de ódio, agora uma campanha de tristeza com essa reforma que não é uma reforma é acabar com a Previdência. Os mais prejudicados serão os mais jovens e os menos favorecidos”, afirmou.


No Rio de Janeiro (RJ), a manifestação se concentrou na região da Candelária e percorreu o centro; houve repressão policial. (Foto: Clívia Mesquita)

Além da capital paulista, tarde e noite de Greve Geral teve atos registrados em pelo menos outras 13 capitais de todas as regiões.

Em Salvador (BA), 2.700 ônibus do sistema municipal de transporte não saíram das garagens, sendo que o serviço é utilizado diariamente por mais de 1,3 milhões de soteropolitanos. Durante a manhã houve passeata na capital, da Rótula do Abacaxi até o Iguatemi, e durante a tarde o ato que reuniu cerca de 70 mil manifestantes, do Campo Grande à Praça Castro Alves, mesmo com a paralisação dos rodoviários por 24 horas, e apenas o funcionamento do metrô e vans.

No Recife (PE), o ato público se caracterizou como um grande ponto de confluência das mobilizações da Greve Geral que parou o Brasil nesta sexta-feira (14). Milhares de pessoas se concentraram no centro da capital pernambucana, entre elas estava a professora aposentada Maria do Socorro que, aos 72 anos, foi às ruas defender um direito que ela já teve acesso, o da aposentadoria. “Estamos sendo atacados da forma mais vil, querem tirar nosso direito de descansar na velhice”, afirma.

Nilza Gomes, que também participou da mobilização, se declara veementemente contra a proposta de reforma da Previdência do governo de Jair Bolsonaro (PSL). “Eles ainda querem nos enganar chamando de ‘Nova Previdência’. A previdência não é nova. Ela é um direito nosso já garantido”, diz.

Greves e manifestações ocorreram nas principais cidades, com a participação dos trabalhadores do campo. Nos Campos Gerais, cerca de 1.200 pessoas participaram da manifestação na cidade Ponta Grossa. Em Londrina, o ato unitário teve cerca de três mil pessoas e paralisação do principal terminal de ônibus da cidade. Foz do Iguaçu registrou sete mil manifestantes e Cascavel, na região Oeste do estado, cerca de 2 mil pessoas.

Em Natal, capital do Rio Grande do Norte, os organizadores da Greve Geral afirmam que cerca de 80 mil pessoas compareceram na manifestação ocorrida nesta tarde. Inicialmente, a concentração do ato aconteceu nas redondezas do Shopping Midway Mall e, depois, manifestantes caminharam até o Natal Shopping, localizado no bairro de Candelária.

Na capital paranaense, Curitiba, estudantes, professores e demais grevistas mobilizaram 6 mil pessoas em ato iniciado às 18h, a partir da praça Santos Andrade. O dia foi repleto de atividades e, no final da manhã, havia ocorrido concentração de servidores e professores em frente ao palácio do governo. Às 14h, houve caminhada dos sindicatos pelo centro da cidade.

Estamos marcando uma página importante na defesa dos nossos direitos, na defesa de um Brasil que seja um país para a maioria do seu povo, e não esse Brasil do governo federal“, avaliou o professor Hermes Leão, presidente da APP Sindicato.

No interior do estado, houve mobilizações em Maringá (10 mil), Cascavel (2 mil), Londrina (3 mil), Ponta Grossa (1,2 mil), Araucária (mil), Foz do Iguaçu (7 mil) e Toledo (500 manifestantes).

O dia de Greve Geral foi marcado por passeatas e mobilizações contra a reforma da Previdência em todo o estado do Rio de Janeiro. No final da manifestação que reuniu cerca de 100 mil pessoas no Centro do Rio, segundo os organizadores, a Polícia Militar dispersou trabalhadores e estudantes lançando bombas de gás lacrimogêneo.

Durante a manifestação no Centro do Rio, trabalhadores e estudantes entoaram palavras de ordem contra as mudanças nas regras da aposentadoria que poderão afetar a parcela da população mais pobre do país: “Eu não abro mão da Previdência e nem da educação”, “Pisa ligeiro, quem mexeu com a Previdência atiçou o país inteiro”, e “A nossa luta unificou é estudante junto com trabalhador”.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) participou das manifestações em todos as regiões brasileiras. Em Pernambuco, o dirigente nacional Jaime Amorim disse ao Brasil de Fato que o país ainda está tentando se recuperar do golpe contra a democracia e o Estado Democrático de Direito, pós-impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT). Na análise de Amorim, o sentimento de antipetismo e o ódio criado pela elite fez a população identificar como opção o governo autoritário de Bolsonaro. “Agora, a população está acordando, está vendo que há um grande risco de a gente retroceder na construção da Democracia, da soberania nacional e do país nação”, disse.

Ao todo, o MST realizou 50 bloqueios de rodovias federais durante a sexta-feira.

Em Rondônia, os atos de rua reuniram 3 mil manifestantes na capital Porto Velho, 150 em Ariquemes, 100 em Guajará-Mirim, 200 em Jaru, 500 em Ouro Preto, 200 em Ji-Paraná, 200 em Rolim de Moura e 300 em Vilhena.

No Largo do Zumbi, em Porto Alegre (RS), trabalhadores e estudantes encerraram a noite com uma votação simbólica por adesão a novas paralisações contra reforma da Previdência de Bolsonaro e Paulo Guedes.

Fonte: Brasil de Fato

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