As manifestações foram alvo de repressão policial em algumas cidades do país.

Em São Paulo, um ato pela manhã na Universidade de São Paulo (USP), com participação majoritária de estudantes, professores e servidores públicos, foi dissolvido com balas de borracha e bombas jogadas por policiais militares.

Na confusão, algumas pessoas foram atingidas por estilhaços de bombas e em seguida levadas para o Hospital Universitário da USP, segundo o sindicato dos trabalhadores da universidade. Além disso, 15 manifestantes foram detidos e levados à 51ª Delegacia de Polícia, no Rio Pequeno.

À tarde, manifestantes também relataram violência das forças de segurança do Estado, que tentavam dispersar o ato, na altura da Consolação e da Praça Roosevelt. A PM ainda não se pronunciou sobre o caso.

Ainda de acordo com o sindicato, não há motivos para uma acusação de flagrante de qualquer tipo de crime. A audiência de custódia, para saber se eles vão aguardar o julgamento em liberdade ou presos, vai acontecer neste sábado, dia 15.

Em Araucária, no Paraná, a guarda municipal atacou com balas de borracha o protesto de trabalhadores na BR 426, na região metropolitana de Curitiba, perto da refinaria Presidente Getúlio Vargas. Três pessoas ficaram feridas e foram levados para um hospital. Um agricultor do MST foi atingido no rosto.

Na Paraíba, um policial foi filmado dando um tapa no rosto de um estudante, diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Ao Brasil de Fato, o estudante agredido contou que manifestantes faziam piquete em frente à empresa de Call Center A&C, quando um dos trabalhadores da empresa chegou e eles ficaram segurando a pessoa para ela não entrar no prédio, por conta da greve. Então um policial militar chegou gritando, dizendo para “acabar logo com essa porra“.

Manhã foi de atos, trancamento de rodovias e paralisações de categorias

A Greve Geral desta sexta começou cedo para as centrais sindicais, para o MST e o MTST, que bloqueou vias em São Paulo e também organizou ações em terminais de ônibus. Ao todo, de acordo com o movimento, foram 16 intervenções. Por volta das 7h, os sem-teto fecharam a avenida Hélio Schimidt, que dá acesso ao Rodoanel, na altura de Guarulhos (SP), impedido a chegada até o aeroporto. A Polícia Rodoviária Federal tentou impedir o travamento da via avançando com os carros em dire~çao os manifestantes. Não houve feridos.

Todas as ações do MTST começaram às 7h. A mais volumosa foi na Ponte João Dias, zona sul de São Paulo, que ocupou todas as faixas da via no sentido centro. Os manifestantes marcharam e seguravam uma faixa que dizia: “Não à reforma da Previdência”.

No Terminal Ferrazópolis, na entrada pela avenida Faria Lima, em São Bernardo do Campo, os militantes do movimento fecharam o acesso ao local. Na zona norte da capital paulista, na avenida Corredor, eles também marcharam e travaram as vias. Na zona leste, o MTST ocupou a Radial Leste e seguiu em marcha até o Metrô Itaquera, que estava fechado por conta da adesão dos metroviários à Greve Geral. No local, há também um terminal de ônibus, que permanecia inativo. Por volta das 10h, os manifestantes dispersaram.

Até as 13 horas, mais de 300 cidades de todos os estados haviam registrado protestos. Das 27 capitais, 19 tiveram o sistema de ônibus afetado pela mobilização. Outras oito não tiveram interrupção no transporte coletivo por ônibus, mas registraram bloqueios de ruas ou estradas por manifestantes, ou tiveram paralisação parcial no metrô.

Organizaram paralisações trabalhadores de portos como o de Pecém no Ceará; refinarias, como Recap em Mauá e Abreu e Lima em Pernambuco; indústria metalúrgica, como Volks e Mercedes em São Bernardo; energia; bancários em São Paulo e no ABC; pessoal da Saúde; Eletricitários; Correios no Rio e São Paulo; e universidades como UFRJ, UFSC, UFAL, UFBA e UFCG.

Encontro das duas principais vias do Plano Piloto, a Rodoviária de Brasília (DF) amanheceu sem veículos e sem pedestres em seu entorno. O local, que recebe mais de meio milhão de pessoas por dia, permaneceu vazio até por volta das 15h30, horário em que a reportagem do Brasil de Fato deixou a área.

No trajeto até a Rodoviária, havia fluxo reduzido de carros, mas ainda sem ônibus. O comércio dentro e próximo ao marco zero da capital apresentava volume abaixo do usual para uma sexta-feira.

O impacto da Greve Geral no cotidiano foi sentido pelos taxistas da região. Ao menos três motoristas ouvidos relataram ter feito apenas duas viagens desde a manhã até o horário do almoço, quando normalmente realizam ao menos o dobro, especialmente às sextas. “Hoje não consigo nem pagar o combustível. Tento fazer mais uma viagem e vou para a casa”, disse um deles.

Pela manhã, ao menos duas vias foram bloqueadas por manifestantes no Distrito Federal, a BR-020 e a BR-070. A interrupção do fluxo nas pistas foi breve. Em greve desde dois de maio, o metrô manteve a circulação com número reduzidos de trens.  Agências bancárias e escolas públicas, além da Universidade de Brasília (UnB), não funcionaram durante o dia.

Além das paralisações, a manhã desta sexta (14) foi marcada por dezenas de atos em todo país, organizados por movimentos populares. Além de MST e MTST, participaram o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Marcha Mundial das Mulheres, com interdições de rodovias e avenidas.

Na cidade de São Paulo, ocorreram bloqueios na avenida 23 de Maio, no elevado João Goulart, na USP e em Sapopemba, entre outros pontos. No estado foram registrados atos em São Bernardo, Diadema, Campinas, Bauru, Itapeva, Sorocaba, Vinhedo, Taubaté e Presidente Prudente.

Houve bloqueios ainda em Santa Catarina (Florianópolis e Chapecó), Alagoas (Maceió), Paraná (Araucária, Francisco Beltrão, Cascavel e Pato Branco), Pará (Belém e Eldorado doas Carajás), Pernambuco (em várias rodovias do entorno de Recife e outros pontos do estado, como Aliança, Jaboatão, Gravatá, Pesqueira e Caruaru), em Minas Gerais (Ouro Preto, Juiz de Fora, Congonhas e BH), Rio de Janeiro (Capital, Niterói e Campos dos Goytacazes), Sergipe (Aracaju e Monte Alegre), Rio Grande do Norte (Natal, Extremoz e João Câmara); em vários pontos na Paraíba; na Bahia (Barreiras, Catités, Santo Antonio de Jesus, Salvador); no Maranhão (São Luís), no Rio Grande do Sul (Porto Alegre e Eldorado do Sul), em Rondônia (Jaru) e em Goiás (Goiânia).

Acabar com a Previdência para colocar a capitalização e vender nos bancos é o que o governo quer. As centrais sindicais não vão discutir a retirada de direitos. A mudança do relator não ajudou. Ela continua retirando os direitos. A proposta do Bolsonaro e do Guedes é tão ruim que o relator para fazer pior tinha que fazer muita força. Queremos a Previdência geral, ampla e pública. Queremos melhorá-la e a proposta é só para pior”, disse Vagner Freitas, presidente da CUT, ao fazer um balanço das atividades.

Edson Carneiro, o Índio, dirigente da Intersindical, afirmou que o relatório do deputado paulista Samuel Moreira (PSDB) não representa avanços definitivos na proposta e que o esforço dos trabalhadores e da oposição deve ser direcionado para a derrubada da PEC 6/2019.

A despeito de ter tirado o que era muito escandaloso que era desconstitucionalização e a capitalização, mantém todas as crueldades contra as mulheres, o aumento do tempo de contribuição, a idade mínima de 65 anos e 62 anos, como se o povo começasse a  trabalhar depois dos 30 anos, como acontece com os deputados. O povo brasileiro e a classe trabalhadora ainda tem muita luta para fazer”, asseverou.
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