De janeiro a julho, setor já eliminou 1.875 empregos. Sindicato reitera: setor que mais lucra no país deveria criar postos de trabalho e não extingui-los

O setor bancário eliminou 1.875 postos de trabalho entre janeiro e julho deste ano. O dado é do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), hoje ligado ao Ministério da Economia. O saldo foi positivo em julho, com criação de 182 empregos, mas negativo no acumulado do ano.
Os bancos múltiplos com carteira comercial, categoria em que estão incluídos Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil (quatro dos cincos maiores bancos no país), extinguiram 1.369 vagas nos últimos sete meses, mas criaram 289 em julho. Já a Caixa Econômica Federal – única na categoria caixas econômicas, do Caged – teve saldo negativo tanto no acumulado do ano (- 627 empregos), quanto no mês passado (- 138).
O setor bancário é um dos mais lucrativos do país, e continua tendo lucros astronômicos mesmo na crise, portanto, deveria gerar empregos e não contribuir para aumentar os 13 milhões de desempregados que temos hoje no Brasil. Cadê a responsabilidade social que os bancos tanto pregam em suas propagandas? Eles aumentam seus lucros, aumentam o número de clientes e transações bancárias, e ao mesmo tempo diminuem o número de funcionários, sobrecarregando os que ficam”, critica a secretária de Comunicação do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Marta Soares.
A dirigente destaca que apenas os quatro maiores bancos lucraram juntos, no primeiro semestre deste ano, R$ 42,4 bilhões, isso representa um crescimento de 20,4% em relação ao resultado conjunto desses bancos (BB, Itaú, Santander e Bradesco) no primeiro semestre de 2018 (a Caixa ainda não divulgou seu balanço). “Só com o que arrecadam com tarifas cobradas dos clientes, os maiores bancos pagam todos os seus funcionários e ainda sobra. É um absurdo que ainda assim eles eliminem empregos”, reforça.

Rotatividade

Os bancos também lucram com a rotatividade. Os Caged aponta que, de janeiro a julho, o salário médio dos admitidos foi de apenas 68% da média salarial dos desligados.
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