As apresentações na Caixa Cultural dependem de aprovação da cúpula da estatal e da Secretaria de Comunicação do governo federal

Segundo reportagem de Gustavo Fioratti, da Folha de S. Paulo, os funcionários da Caixa Cultural agora são obrigados a preencher um relatório com “possíveis pontos de polêmica de imagem para a Caixa”, além do histórico das redes sociais dos produtores e participantes das mostras antes de receber autorização.
No documento que a Folha teve acesso o campo das “polêmicas” está descrito assim: “Possíveis riscos de atuação contra as regras dos espaços culturais, manifestações contra a Caixa e contra governo e quaisquer outros pontos que podem impactar”. Outros campos que aparecem na ficha são “histórico do artista nas redes sociais e na internet e participação em outros projetos” e “histórico do produtor nas redes sociais e na internet”.

Recomendação

Segundo os funcionários, esses campos não existiam anteriormente. Em alguns estados, houve recomendação explícita para serem evitadas apresentações com temática LGBT e sobre a ditadura militar. Segundo muitos deles, há um forte clima de tensão e uma crescente autocensura por riscos de demissão em massa.
Entre as apresentações canceladas recentemente estão “Abrazo”, um ciclo de palestras sobre democracia e uma mostra da cineasta Dorothy Arzner, que discutiria temas feministas e homossexualidade, além dos espetáculos “Gritos” e “Lembro Todo Dia de Você”.

Segundo o Observatório da Censura à Arte, já foram mais de 15 casos no Brasil, apenas no segundo semestre de 2019.

Censura às artes

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