Leilão com proposta única entregou para consórcio estrangeiro privado uma fatia da Caixa que financia programas sociais. Dinheiro arrecadado com as raspadinhas, que era direcionado para educação, saúde, seguridade social, segurança pública e cultura, servirá agora para o lucro de empresas

Enquanto do lado de dentro da bolsa de valores de São Paulo (B3) o governo Bolsonaro se desfazia da Loteria Instantânea Exclusiva (Lotex), do lado de fora do prédio, o Sindicato dos Bancários de São Paulo Osasco e Região denunciava o que representa a entrega da empresa pública.

O consórcio que levou a Lotex em um leilão com apenas um participante foi a Estrela Instantânea, formado pela International Game Techology (IGT) e pela Scientific Game International (SGI). A primeira empresa é controlada por um grupo italiano; a segunda é norte-americana. Juntas, as duas empresas que venceram o leilão com proposta única detêm atualmente 80% de participação do mercado de loteria instantânea no mundo, que é estimado em US$ 80 bilhões por ano, segundo afirmou ao G1 Roberto Quattrini, representante do consórcio.
Estudos feitos pelo BNDES apontam para uma receita potencial de R$ 6 bilhões ao ano, a partir do quinto ano de exploração das loterias. Do valor faturado pela concessionária estrangeira que venceu o certame com proposta única, apenas 16,7% deverão ser transferidos à União.
Para efeito de comparação, somente em 2017, as Loterias da Caixa transferiram R$ 5,2 bilhões para programas sociais nas áreas de seguridade social, esporte, cultura, segurança pública, educação e saúde. Esse montante representa 37,4% do total de R$ 13,9 bilhões que foram arrecadados naquele ano com os jogos feitos pelos brasileiros.
A dirigente sindical e empregada da Caixa Vivian Sá lamentou o fatiamento de um pedaço do banco público para um consórcio estrangeiro. “A gente veio aqui denunciar, porque ninguem te perguntou se você queria vender esse patrimônio que era seu e agora é de duas empresas estrangeiras. O dinherio que elas lucrarem não vai ficar aqui, não vai gerar renda para o país. A Lotex foi entregue de mão beijada por esse governo que está entregando tudo que é seu, vendendo seu patrimônio. Um pedaço da Caixa acabou de ir embora para os estrangeiros“, protestou.
O empregado da Caixa e também dirigente sindical Valter San Martin destacou o que representa para a população a venda da Loteria Instantânea da Caixa (Lotex).
O bancário da Caixa e dirigente sindical Alex Livramento lembrou que a privatização da Loteria Instantânea é um processo característico da política econômica neoliberal que levou o Chile a passar por uma grande revolta social.
A privatização da Lotex faz parte do Programa de Parceria e Investimentos (PPI). Criado ainda no governo Temer, com a finalidade de privatizar empresas e serviços públicos, o PPI usa o BNDES para a estruturação dos leilões. No dia 27 de agosto, o governo Bolsonaro ampliou a queima de estoque do patrimônio nacional ao incluir mais nove estatais no cardápio de venda do PPI.
A resolução do PPI baixou a exigência de faturamento da Lotex de R$ 1,2 bilhão para R$ 560 milhões em 12 meses, ou seja, menos da metade do exigido anteriormente. Também ampliou de quatro para oito parcelas o pagamento do bônus de assinatura.
A Loteria Instantânea Exclusiva, conhecida também por raspadinha, é uma modalidade de loteria em que o apostador sabe, na hora em que raspa o cartão, se ganhou algum prêmio ou não.
  • Redação Spbancarios
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