Detalhes do julgamento vieram à tona e provocaram onda de protestos nas redes ao expor tortura psicológica sofrida pela vítima.

O caso Mariana Ferrer provocou grandes manifestações nas redes sociais, na quarta 3, após reportagem do The Intercept Brasil  revelar detalhes da sentença, proferida no julgamento em setembro deste ano, pela Justiça de Santa Catarina.

Revoltados com a absolvição do acusado por conta da tese de “estupro culposo”, crime inexistente no código penal, as hashtags #JustiçaporMariFerrer e #MariFerrerNãoestásozinha ganharam destaques nas redes sociais contra a injustiça e a crueldade cometida por quem deveria julgar o caso, e não humilhar ainda mais a mulher.

A secretária-geral do Sindicato, Neiva Ribeiro, comenta que as imagens que mostram a tortura psicológica da vítima são chocantes, sendo apenas uma parte do que as mulheres sofrem no dia a dia.

Esse tipo de violência sofrida pela Mari Ferrer demonstra por que as mulheres que sofrem estupro preferem ficar caladas ao invés de denunciar o abuso. Além da violência sofrida em casa ou nos espaços públicos, quando elas chegam para denunciar são tratadas como verdadeiras criminosas ou culpadas pelo acontecido, como aconteceu com Mariana, e isso é chocante“, diz Neiva.

Ela ainda lembra que neste mês de novembro, além de ser o Mês da Consciência Negra, no dia 25, é o Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres.

Esse episódio é muito marcante e chocante e precisamos dizer que é necessário ser contra a violência contra a mulher, que é urgente ser contra a cultura do estupro, que é fundamental ser contra o machismo que está enraigado nas instituições públicas”, diz e completa.
Esse episódio dá várias lições para a gente. Primeiro, precisamos discutir sim o machismo. Precisamos educar nossos filhos para que respeitem as mulheres, para que saibam que não é não. Para que saibam que todas as mulheres merecem respeito, independente do jeito que elas se vestem e de como elas se portam. Elas, somente elas, têm o direito de decidir sobre seus corpos, sobre suas vontades, sobre seus desejos. O Estado precisa melhorar suas instituições para deixarem de ser machistas e acolherem as mulheres e, acima de tudo, ter uma política de enfrentamento à violência contra as mulheres e que seja de fato efetiva. Esse governo, ao contrário de governos anteriores, cortou todo o investimento nestas políticas, o que é um grande retrocesso e só amplia o tamanho do problema“, comenta Neiva.
A secretária-geral do Sindicato ainda reforça que “apesar do sofrimento é preciso denunciar. Só denunciando podemos ter a chance de punir o agressor e conseguir justiça. Se há homens machistas e cruéis como os que encurralaram Mariana, há centenas de milhares de pessoas que discordam deles e querem que o sistema de justiça seja justo, e que outras mulheres não passem por isso em um tribunal, em uma delegacia, em um hospital, ou onde quer que seja. Todas merecemos respeito“, finaliza.

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Relembre o caso Mari Ferrer

O empresário André de Camargo Aranha Aranha havia sido acusado de estupro pela influenciadora digital Mariana Borges Ferreira, ou Mari Ferrer, como ela é mais conhecida. O caso teria ocorrido em 16 de dezembro de 2018, no beach club Café de La Musique, em Florianópolis (SC).

Mari publicou em suas redes que Aranha a havia drogado e estuprado: “não é nada fácil ter que vir aqui relatar isso. Minha virgindade foi roubada de mim junto com meus sonhos. Fui dopada e estuprada por um estranho em um beach club dito seguro e bem conceituado da cidade”, publicou a jovem em 2018.

Fonte: SP Bancários – Elenice Santos, com informações da RBA e Brasil de Fato